sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Missa em Santa Marta- As doze colunas

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«Oração e testemunho» constituem as «duas tarefas dos bispos» que são «colunas da Igreja». Mas se se debilitam quem sofre é o povo de Deus. Por isso, disse o Papa Francisco durante a missa celebrada na manhã de sexta-feira 22 de Janeiro na capela da Casa de Santa Marta, é preciso rezar insistentemente pelos sucessores dos doze apóstolos.

A reflexão do Pontífice sobre a figura e a missão do bispo partiu do trecho do evangelista Marcos (3, 13-19) proclamado durante a liturgia. «Há uma palavra, neste trecho do Evangelho, que chama a atenção: Jesus “elegeu”». E esta palavra «aparece duas vezes». Escreve de facto Marcos: «”Elegeu doze, aos quais chamou apóstolos”. E depois continua: portanto “elegeu doze”, e chama-os pelo nome, um depois do outro». Por conseguinte, explicou o Pontífice, «Jesus, entre tantas pessoas que o seguiam – diz-nos o Evangelho – “chamou a si os que queria”». Em síntese, «há uma escolha: Jesus escolheu os que queria». E, precisamente, «constituiu doze, aos quais chamou apóstolos». Com efeito, prosseguiu Francisco, «havia outros: havia os discípulos» e «o Evangelho a um certo ponto fala de setenta e dois». Mas «estes eram outra coisa».

Os «doze são constituídos para que andem com Ele e para os enviar a pregar com o poder de expulsar os demónios» explicou o Papa. «É o grupo mais importante que Jesus escolheu, “para que andassem com Ele”, mais próximos, “e para os enviar a pregar” o Evangelho». E «com o poder de expulsar os demónios», acrescenta ainda Marcos. Precisamente aqueles «doze são os primeiros bispos, o primeiro grupo de bispos».

Estes doze «eleitos – observou Francisco – estavam cientes da importância desta eleição, a ponto que depois de Jesus ter subido ao céu, Pedro falou aos outros e explicou-lhes que, considerando a traição de Judas, era necessário fazer algo». E assim entre aqueles que tinham andado com Jesus, do baptismo de João até à ascensão, escolheram «uma testemunha “connosco” – diz Pedro – da Ressurreição». Eis, prosseguiu o Papa, que «o lugar de Judas é ocupado, é preenchido por Mateus».

Depois «a liturgia da Igreja, referindo-se a «algumas expressões de Paulo», chama aos doze «colunas da Igreja». Sim, afirmou o Pontífice, «os apóstolos são as colunas da Igreja. E os bispos são colunas da Igreja. Aquela eleição de Mateus foi a primeira ordenação episcopal da Igreja».

«Gostaria de dizer hoje algumas palavras sobre os bispos» confidenciou Francisco. «Nós bispos temos esta responsabilidade de ser testemunhas: de que o Senhor Jesus está vivo, ressuscitou, caminha connosco, nos salva, deu a sua vida por nós, é a nossa esperança, nos acolhe sempre e nos perdoa». Eis «o testemunho». Por conseguinte, prosseguiu, «a nossa vida deve ser assim: um testemunho, um verdadeiro testemunho da ressurreição de Cristo».

E Jesus, como narra Marcos, faz «esta escolha» dos doze, por duas razões. Antes de tudo «para que andassem com Ele». Por isso o «bispo tem a obrigação de andar com Jesus». Sim, «é a primeira obrigação do bispo: andar com Jesus». Isto é verdade «a ponto que quando surgiu, nos primeiros tempos, o problema que os órfãos e as viúvas não eram bem cuidados, os bispos – estes doze – reuniram-se, e pensaram no que fazer». E «introduziram a figura dos diáconos, dizendo: “que os diáconos se ocupem dos órfãos e das viúvas». Enquanto aos doze, «diz Pedro», competem «duas tarefas: a oração e o anúncio do Evangelho».

Por conseguinte, relançou Francisco, «a primeira tarefa do bispo é estar com Jesus na oração». Com efeito «a primeira tarefa do bispo não é fazer planos pastorais... não!». É «rezar: esta é a primeira tarefa». Enquanto «a segunda tarefa é ser testemunha, ou seja, pregar: pregar a salvação que o Senhor Jesus nos trouxe».

Trata-se «de duas tarefas difíceis – reconheceu o Pontífice – mas são precisamente estas duas tarefas que tornam fortes as colunas da Igreja». Com efeito «se estas colunas se debilitam, porque o bispo não reza ou reza pouco, se esquece de rezar; ou porque o bispo não anuncia o Evangelho, se ocupa de outras coisas, também a Igreja se debilita; sofre. O povo de Deus sofre». Precisamente «porque as colunas são débeis».

Por este motivo, afirmou Francisco, «hoje gostaria de vos convidar a rezar por nós bispos: porque também nós somos pecadores, temos debilidades, corremos o risco de Judas:também ele tinha sido eleito como coluna». Sim, prosseguiu, «também nós corremos o risco de não rezar, de fazer algo que não seja anunciar o Evangelho e expulsar os demónios». Eis então, reafirmou o Papa, o convite a «rezar para que os bispos sejam aquilo que Jesus queria e que todos nós demos testemunho da ressurreição de Jesus».

De resto, acrescentou, «o povo de Deus reza pelos bispos, em todas as missas se reza pelos bispos: reza-se por Pedro, o chefe do colégio episcopal, e reza-se pelo bispo local». Mas «isto pode não ser suficiente: diz-se o nome por hábito e vai-se em frente». É importante «rezar pelo bispo de coração, pedir ao Senhor: “Senhor, cuida do meu bispo; cuida de todos os bispos, e envia-nos bispos que sejam verdadeiras testemunhas, bispos que rezem e que nos ajudem, com a sua pregação, a compreender o Evangelho, a ter a certeza de que tu, Senhor, estás vivo, estás entre nós”».

Antes de prosseguir a celebração, o Papa sugeriu, de novo, que se «reze portanto pelos nossos bispos: é uma tarefa dos fiéis». Com efeito «a Igreja sem bispo não pode ir em frente». Eis, então, que «a oração de todos nós pelos nossos bispos é uma obrigação, mas uma obrigação de amor, uma obrigação dos filhos em relação ao Pai, uma obrigação de irmãos, para que a família permaneça unida na confissão de Jesus Cristo, vivo e ressuscitado».
Fonte 2016-01-22 L’Osservatore Romano

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

Missa em Santa Marta - Odres novos - 18.01.2016

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2016-01-18 L’Osservatore Romano

O cristão que se esconde por detrás do «sempre se fez assim» comete pecado, tornando-se idólatra e rebelde e vivendo uma «existência remendada, meio a meio», precisamente porque fecha o seu coração às «novidades do Espírito Santo». Foi um convite a libertar-se dos «hábitos», renovando-os, para deixar espaço às «surpresas de Deus» aquele que o Papa Francisco lançou durante a missa celebrada na manhã de segunda-feira, 18 de Janeiro, na capela da Casa de Santa Marta.



Na primeira leitura (1 Sm 15, 16-23), observou o Papa, «ouvimos o modo como o rei Saul foi rejeitado por Deus por não obedecer: o Senhor disse-lhe que venceria a batalha, a guerra, mas que deveria combater até ao extermínio». Mas Saul «não obedeceu!». E assim «quando o profeta o repreendeu e rejeitou em nome de Deus como rei de Israel, ele explicou: “ Ouvi a voz do povo que queria escolher os melhores bois, para os sacrificar ao Senhor”».

«É bom fazer um sacrifício – disse Francisco – mas o Senhor tinha ordenado, tinha dado o mandato de fazer outra coisa». E eis que Samuel diz a Saul: « Acaso o Senhor se compraz tanto nos holocaustos e sacrifícios como na obediência à sua voz?». Sim, afirmou o Papa, «a obediência vai além», superando até as palavras de justificação de Saul. «Ouvi o povo e o povo disse-me: fizemos sempre assim! As coisas de maior valor devem ser feitas ao serviço do Senhor, quer no templo quer para os sacrifícios. Sempre foi assim!».

Por conseguinte, «o rei, que devia mudar aquele “sempre foi assim”, disse a Samuel: “Temi o povo”». Saul «sentiu medo!», e deste modo «deixou que a vida continuasse contra a vontade do Senhor».

A mesma atitude – prosseguiu o Papa referindo-se ao trecho litúrgico de Marcos (2, 18-22) – ensina-nos «Jesus no Evangelho quando os doutores da lei o repreendem porque os seus discípulos não faziam jejum: «Mas foi sempre assim, por que os teus não jejuam?» E Jesus responde com este princípio de vida:

«Ninguém põe um remendo de pano novo em roupa velha; ao contrário, o remendo arranca um novo pedaço da veste usada e torna-se pior o rasgão. E ninguém põe vinho novo em odres velhos; se o fizer, o vinho arrebentá-los-á e perder-se-á juntamente com os odres, mas para vinho novo, odres novos!».

Substancialmente, afirmou Francisco, «o que significa isto, muda a lei? Não!». Quer dizer, aliás, «que a lei está ao serviço do homem que está ao serviço de Deus e por isso o homem deve manter o coração aberto». A atitude de quem diz «foi sempre assim», nasce na realidade de um «coração fechado». Ao contrário «Jesus disse-nos: “Enviar-vos-ei o Espírito Santo e Ele guiar-vos-á para a verdade plena”». Mas «se mantiveres o coração fechado à novidade do Espírito, nunca chegarás à verdade plena!». E «a tua vida cristã será meio a meio, uma vida remendada com coisas novas mas sobre uma estrutura que não está aberta à voz do Senhor: um coração fechado, porque não és capaz de mudar os odres».

Exactamente «este – explicou o Pontífice – foi o pecado do rei Saul, pelo qual foi rejeitado». E é também «o pecado de muitos cristãos que se apegam ao que sempre foi feito e não deixam mudar os odres». Acabando assim por viver «uma existência pela metade, remendada, sem sentido». Mas «por que acontece isto? Por que é tão grave, por que o Senhor rejeita Saul e escolhe outro rei?». A resposta é dada por Samuel quando «explica o que é um coração fechado, um coração que não ouve a voz do Senhor, que não está aberto à novidade do Senhor, ao Espírito que sempre nos surpreende». Quem tem um coração assim, afirma Samuel, «é um pecador». Lê-se na passagem bíblica: «A rebelião é tão culpável quanto a superstição; a desobediência é como o pecado de idolatria». Portanto, afirmou Francisco, «os cristãos obstinados repetem que “sempre foi assim, este é o caminho, esta é a estrada”, pecam: pecam de divinação». É «como se tivessem ido à cartomante». No final resulta «mais importante o que foi dito e o que não muda; o que sinto – em mim e no meu coração fechado – do que a palavra do Senhor». E isto «é também pecado de idolatria: a obstinação! O cristão que teima, peca de idolatria».

Face a esta verdade, a pergunta a fazer é: «qual é a estrada?». Francisco sugeriu que se «abra o coração ao Espírito Santo, discernindo qual é a vontade de Deus». É verdade, «sempre depois das batalhas, o povo sacrificava tudo ao Senhor, inclusive para a própria utilidade, até as jóias para o templo». E «era habitual, no tempo de Jesus, que os bons israelitas jejuassem». Contudo, explicou, «há uma outra realidade: o Espírito Santo que nos leva à verdade plena». E «para isto Ele precisa de corações abertos, de corações que não sejam obstinados no pecado de idolatria de si mesmo», considerando «mais importante o que eu penso» e não «a surpresa do Espírito Santo». E «esta – frisou o Papa – é a mensagem que a Igreja nos transmite hoje; o que Jesus diz com vigor: “Vinho novo em odres novos!”». Porque, repetiu, «face às novidades do Espírito, às surpresas de Deus também os hábitos devem renovar-se». Antes de prosseguir a celebração, Francisco fez votos de que «o Senhor no dê a graça de um coração aberto à voz do Espírito, que saiba discernir o que nunca deve mudar, porque é fundamento, daquilo que deve mudar para poder receber a novidade do Espírito Santo».

sábado, 16 de janeiro de 2016

Mensagem do Papa: "solidariedade com os migrantes e refugiados"


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2016-01-16 Rádio Vaticana


Cidade do Vaticano (RV) – Celebra-se domingo (17/01), o Dia Mundial do Migrante e do Refugiado, para o qual o Santo Padre escreveu uma Mensagem, intitulada “Os migrantes e os refugiados nos interpelam: a resposta do Evangelho da misericórdia”.
A respeito da primeira parte deste tema “os migrantes e os refugiados nos interpelam”, o Papa recorda a dramática situação de tantos homens e mulheres, obrigados a abandonar as próprias terras e, muitas vezes, arriscam a própria vida, a ponto de morrerem em tragédias como no mar.
Na segunda parte do tema “a resposta do Evangelho da misericórdia”, Francisco deseja relacionar, de modo explícito, o fenômeno da migração com a resposta dada pelo mundo e, em particular, pela Igreja.
Papel da Igreja
Neste contexto, Francisco convida o povo cristão a refletir durante o Jubileu sobre obras de misericórdia corporais e espirituais, entre as quais se encontra a de “acolher os estrangeiros”. A Igreja, como discípula de Jesus, é chamada a “anunciar a liberdade aos prisioneiros das novas escravidões da sociedade moderna” e, ao mesmo tempo, a “aprofundar a relação entre justiça e misericórdia”, duas dimensões de uma única realidade.
Respondendo ao desejo do Pontífice “de que cada Igreja particular seja diretamente envolvida neste Ano Santo”, o Pontifício Conselho da Pastoral para os Migrantes e os Itinerantes oferece algumas indicações: a celebração do Jubileu em nível diocesano e nacional, no âmbito mais próximo possível aos migrantes e refugiados, envolvendo também a comunidade cristã.
Outras indicações: “que o evento jubilar central seja o dia 17 de janeiro de 2016, por ocasião do Dia Mundial do Migrante e do Refugiado; que as dioceses e comunidades cristãs programem iniciativas, aproveitando a ocasião propícia do Ano Santo da Misericórdia, e encorajem a sensibilização sobre o fenômeno migratório; e, por fim, a importância de dar sinais concretos de solidariedade e atenção aos migrantes e refugiados. (MT)
(from Vatican Radio)

sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

Papa na missa: "A fé não se compra, é dom que muda nossa vida"

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2016-01-15 Rádio Vaticana

Cidade do Vaticano (RV) - “Como é a minha fé em Jesus Cristo?”. É a pergunta formulada pelo Papa na homilia da missa matutina na Casa Santa Marta, na manhã de sexta-feira (15/01). O Pontífice se baseou no Evangelho para reafirmar que para compreender realmente Jesus, não devemos ter o “coração fechado”, mas segui-lo no caminho do perdão e da humilhação. “A fé – advertiu – não pode ser comprada por ninguém; é um dom que muda nossa vida”.

As pessoas fazem de tudo para se aproximar de Jesus e não pensam nos riscos que podem correr para escutá-lo ou simplesmente tocá-lo. Foi o que sublinhou Francisco, inspirando-se no Evangelho de Marcos que narra a cura do paralítico em Cafarnaum.

Havia tanta gente na frente da casa onde estava Jesus que tiveram que tirar o teto e passar por ali a maca aonde se encontrava o doente. “Tinham fé – comentou o Papa – a mesma fé daquela senhora que, em meio à multidão, quando Jesus foi à casa de Jairo, conseguiu tocar um pedaço do manto de Jesus, para ser curada”. A mesma fé do centurião para a cura do seu servo. “A fé forte, corajosa, que vai adiante – disse Francesco – o coração aberto na fé”.

Assista em VaticanBR

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Se tivermos o coração fechado, não conseguimos entender Jesus

No episódio do paralítico, “Jesus faz um passo adiante”. Em Nazaré, no início de seu ministério, “foi à Sinagoga e disse que havia sido enviado para libertar os oprimidos, os encarcerados, para dar a vista aos cegos... inaugurar um ano de graça”, ou seja, um “ano de perdão, de aproximação ao Senhor. Abrir um caminho rumo a Deus”. Aqui, porém, dá um passo a mais: não só cura os doentes, mas perdoa seus pecados:

“Estavam ali aqueles que tinham o coração fechado, mas aceitavam – até um certo ponto – que Jesus fosse um curandeiro. Mas perdoar os pecados é demais! Este homem vai além! Não tem direito de dizer isto, porque somente Deus pode perdoar os pecados, e Jesus sabia o que eles pensavam, e diz: ‘Eu sou Deus’? Não, não o diz. ‘Por que pensam estas coisas? Porque sabem que o Filho do Homem tem o poder – é o passo avante! – de perdoar os pecados. Levanta-te, toma e cura-te’. Começa a falar aquela linguagem que, a um certo ponto, desencorajará as pessoas, inclusive alguns discípulos que o seguiam... Esta linguagem é dura, quando fala de comer o seu Corpo como caminho de salvação”.

A fé em Jesus muda realmente a nossa vida?

O Papa Francisco afirma que entendemos que Deus vem para “nos salvar das doenças”, mas antes de tudo “para nos salvar dos nossos pecados, salvar-nos e levar-nos ao Pai. Foi enviado para isto, para dar a vida para a nossa salvação. E este é o ponto mais difícil de se entender”, não somente pelos escribas. Quando Jesus se mostra com um poder maior do que o poder de um homem “para dar aquele perdão, para dar a vida, para recriar a humanidade, também os seus discípulos duvidam. E vão embora”. E Jesus, recordou, “deve pedir ao seu pequeno grupinho: ‘Também vocês querem ir embora’”.

“A fé em Jesus Cristo. Como é a minha fé em Jesus Cristo? Creio que Jesus Cristo seja Deus, o Filho de Deus? E esta fé transforma a minha vida? Faz com que no meu coração se abra este ano de graça, este ano de perdão, este ano de aproximação ao Senhor? A fé é um dom. Ninguém ‘merece’ a fé. Ninguém a pode comprar. É um dom. A ‘minha’ fé em Jesus Cristo, me leva à humilhação? Não digo à humildade: à humilhação, ao arrependimento, à oração que pede: ‘Perdoa-me, Senhor. Tu és Deus. Podes perdoar os meus pecados”.

A prova da nossa fé é a capacidade de louvar a Deus

O Senhor, é a invocação do Papa, “nos faça crescer na fé”. As pessoas, observou, “procuravam Jesus para ouvi-lo” porque ele falava “com autoridade, não como falavam os escribas”. Além disso, acrescentou, o seguia, porque ele curava, “fazia milagres!”. Mas, no final, “essas pessoas, depois de terem visto, foram embora e todos ficaram maravilhados, e glorificavam a Deus”:

“O louvor. A prova que eu creio que Jesus Cristo é Deus na minha vida, que me foi enviado para 'me perdoar', é o louvor: se eu tenho a capacidade de louvar a Deus. Louvar o Senhor. É gratuito isso. O louvor é gratuito. É um sentimento que dá o Espírito Santo e nos leva a dizer: ‘Tu és o único Deus’. Que o Senhor nos faça crescer nesta fé em Jesus Cristo Deus, que nos perdoa, que nos oferece o ano da graça, e que esta fé nos leve a louvar”.

(CM/BF/SP)

(from Vatican Radio)

quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

Papa: "A fé é nossa vitória. Longe de Deus somos derrotados"

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Cidade do Vaticano (RV) – Nesta quinta-feira (13/01), o Papa celebrou a missa matutina na Casa Santa Marta e começou a homilia inspirando-se no trecho do Livro de Samuel que narra a derrota do Povo de Deus, vencido pelos filisteus:
É um massacre enorme, o povo perde tudo, inclusive a dignidade. “O que levou a esta derrota?”, perguntou o Papa, respondendo: o povo “lentamente havia se afastado do Senhor e vivia de modo mundano, com os ídolos que possuía”. Iam ao Santuário de Silo, mas “como se fosse um costume cultural: haviam perdido a relação filial com Deus. Não adoravam Deus! E o Senhor os deixou sozinhos”. O povo usa até mesmo a Arca de Deus para vencer a batalha, mas como se fosse uma coisa “um pouco mágica”.

“Na Arca – lembra o Papa – havia a Lei, a Lei que eles não respeitavam e da qual haviam se afastado”. Não havia mais “uma relação pessoal com o Senhor! Eles tinham se esquecido que Deus os havia salvado. E assim, são derrotados: 30 mil israelitas mortos, a Arca de Deus é tomada pelos Filisteus; os dois filhos de Eli, “aqueles sacerdotes delinquentes que exploravam o povo no Santuário de Silo” morrem. “Uma derrota total” – afirma o Papa – “um povo que se afasta de Deus acaba assim”: tem um santuário, mas o coração não está com Deus, não sabe adorar Deus:

“Crê em Deus, mas num Deus meio ’escondido, distante, que não entra no coração e você não obedece seus Mandamentos. Esta é a derrota!”. O Evangelho do dia, ao invés, nos fala de uma vitória:

“Naquele tempo, foi a Jesus um leproso que o suplicava de joelhos – num gesto de adoração – e lhe dizia: ‘Se quiser, pode purificar-me’. Ele desafia o Senhor dizendo: eu sou um perdido na vida. O leproso era um derrotado porque não podia viver em comum. Ele era ‘descartado’, posto de lado. Mas você pode transformar esta derrota em vitória! Ou seja: ‘Se quiser, pode purificar-me’. Diante disto, Jesus teve compaixão, estendeu a mão, tocou-o e disse-lhe: ‘Eu quero. Seja purificado!’. Assim, simplesmente: esta batalha terminou em dois minutos com a vitória. A outra, toda a jornada, com a derrota. Aquele homem tinha algo que o levou a ir a Jesus e lançar aquele desafio. Ele tinha fé!”.

O Apóstolo João diz que a vitória sobre o mundo é a nossa fé. "Nossa fé vence, sempre!"

“A fé é vitória. A fé. Como este homem: 'Se você quiser, pode fazê-lo'. Os derrotados da primeira leitura rezavam a Deus, carregavam a Arca, mas não tinham fé, tinham-na esquecido. O outro tinha fé e quando você pede com fé, o próprio Jesus nos disse que se movem as montanhas. Nós somos capazes de mover uma montanha de um lado para outro: a fé é capaz disso. Jesus mesmo disse: ‘Tudo o que pedirdes ao Pai em meu nome, vos será dado. Pedi e recebereis; batei e vos será aberto'. Mas com fé. E esta é a nossa vitória”.

Papa Francisco concluiu a homilia com esta oração:

Peçamos ao Senhor que a nossa oração sempre tenha a raiz da fé, nascida da fé n’Ele. A graça da fé: a fé é um dom. Não se aprende nos livros. É um dom que o Senhor lhe dá, mas basta pedi-la: 'Dá-me a fé!'. ‘Creio, Senhor ', disse aquele homem que pedia a Jesus para que curasse o seu filho: Peço Senhor, ajuda a minha pouca fé’. A oração com fé e é curado ... Peçamos ao Senhor a graça de rezar com fé, para ter certeza de que tudo o que pedimos a Ele será dado, com a confiança que nos dá a fé. E esta é a nossa vitória: a nossa fé”. (CM-SP)

(from Vatican Radio)

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Francisco: obras de misericórdia são o coração da nossa fé

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2016-01-07 Rádio Vaticana

Cidade do Vaticano (RV) - As obras de misericórdia são o coração da nossa fé em Deus. Foi o que afirmou o Papa Francisco na missa da manhã desta quinta-feira (07) na Casa Santa Marta, a primeira após a pausa de Natal. Refletindo sobre a primeira Leitura, tirada da primeira Carta de São João Apóstolo, o Papa adverte que devemos nos proteger da mundanidade e daqueles espíritos que nos distanciam de Deus que se fez carne por nós.

O Papa Francisco desenvolveu a sua homilia, movendo-se a partir desta afirmação de São João Apóstolo na primeira leitura. “Permanecer em Deus - retomou - é um pouco o respiro da vida cristã, e o estilo”. Um cristão, disse ainda, “é aquele que permanece em Deus”, que “tem o Espírito Santo e se deixa guiar por Ele”. Ao mesmo tempo, lembrou Francisco, o Apóstolo adverte sobre professar a “fé a todo espírito”. Devemos, portanto, colocar à "prova os espíritos, testar se eles são realmente de Deus. E essa é a regra cotidiana de vida que nos ensina que João”.

Mas o que isso significa “testar os espíritos”. Não se trata de “fantasmas”, fez questão de frisar o Papa: trata-se de “provar”, ver “o que acontece em meu coração”, qual é a raiz "do que eu estou sentindo agora, de onde vem? Isso é testar para provar”: se o que eu sinto vem de Deus” ou vem do outro, “do anticristo”.

Discernir bem o que está acontecendo em nossa alma

A mundanidade, continuou, é precisamente “o espírito que nos afasta do Espírito de Deus que nos faz permanecer no Senhor”. Qual é então o critério para fazer um bom discernimento do que está acontecendo em minha alma”?, se pergunta o Papa. O Apóstolo João dá apenas um: “todo espírito que reconhece Jesus Cristo feito carne é de Deus; e todo espírito que não reconhece Jesus não é de Deus”:

“O critério é a Encarnação. Eu posso sentir tantas coisas dentro de mim, até mesmo coisas boas, boas ideias. Mas se essas boas ideias, esses sentimentos não me levam a Deus que se fez carne, não me levam ao próximo, ao irmão, não são de Deus. Por esta razão, João começa esta passagem de sua carta dizendo: ‘Este é o mandamento de Deus: que creiamos no nome de seu Filho Jesus Cristo e nos amemos uns aos outros’”.

As obras de misericórdia são o coração da nossa fé

Podemos fazer “muitos planos pastorais”, acrescentou, imaginar novos “métodos para chegar mais perto das pessoas”, mas “se não fizermos o caminho de Deus encarnado, do Filho de Deus que se fez homem para caminhar conosco, nós não estaremos na estrada do bom espírito: é o anticristo, é a mundanidade, é o espírito do mundo”:

“Quanta gente encontramos, na vida, que parece espiritual: ‘Mas que pessoa espiritual!, pensamos. Mas nem se fala de obras de misericórdia. Por que? Porque as obras de misericórdia são exatamente o concreto de nossa confissão que o Filho de Deus se fez carne: visitar os doentes, dar comida a quem não tem alimento, cuidar dos ‘descartados’... Obras de misericórdia.. por que? Porque cada nosso irmão, que devemos amar, é carne de Cristo. Deus se fez carne para se identificar conosco. E aquele que sofre... é Cristo que sofre”.

Se o espírito vem de Deus me conduz ao serviço aos outros

“Não professem fé a todo espírito, sejam atentos! – reiterou o Papa – ponham à prova os espíritos para testar se realmente provêm de Deus”. E sublinhou que “o serviço ao próximo, ao irmão e à irmã que precisam”, “precisa também de um conselho, que precisa de meus ouvidos para ser escutado”. Estes são “os sinais de que vamos no caminho do bom espírito, ou seja, no caminho do Verbo de Deus que se fez carne”.

“Peçamos ao Senhor, hoje, a graça de conhecer bem o que acontece em nosso coração, aquilo de que gostamos de fazer, o que nos toca mais: se é o espírito de Deus, que me conduz ao serviço aos outros, ou o espírito do mundo, que gira ao meu redor, dos meus fechamentos, dos meus egoísmos e de tantas outras coisas... Peçamos a graça de conhecer o que acontece em meu coração”.

(SP/CM)

(from Vatican Radio)

sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

Papa pede união contra atrocidades militantes em mensagem de Natal

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sexta-feira, 25 de dezembro de 2015 10:37 BRST
Por Philip Pullella
imagem da internet

CIDADE DE VATICANO (Reuters) - O papa Francisco pediu ao mundo em sua mensagem de Natal que se una para acabar com as atrocidades de militantes islâmicos que ele disse estão causando imenso sofrimento em muitos países.

A segurança foi forte no Vaticano enquanto o papa Francisco, marcando o terceiro Natal desde sua eleição em 2013, lia seu tradicional discurso "Urbi et Orbi" (para a cidade e o mundo) do Dia de Natal da sacada central da Basílica de São Pedro.

Dezenas de milhares de pessoas tiveram suas bolsas inspecionadas ao entrarem na área do Vaticano e então passaram por inspeções como em aeroportos se quisessem entrar na Praça de São Pedro.

A polícia antiterrorismo munida com armas patrulhava discretamente a área em vans com janelas escuras.

Depois de pedir o fim das guerras civis na Síria e na Líbia, o papa disse:

"Que a atenção da comunidade internacional esteja direcionada de forma unânime ao fim das atrocidades que nesses países, assim como no Iraque, Líbia, Iêmen e África subsaariana, mesmo agora ceifam numerosas vítimas, causam imenso sofrimento e não poupam nem o patrimônio histórico e cultural de povos inteiros."

Ele estava claramente se referindo aos militantes do Estado Islâmico que realizaram vários ataques a esses países e destruíram muitos locais de herança cultural.

O pontífice condenou recentes "atos brutais de terrorismo", incluindo os ataques de 13 de novembro por militantes islâmicos que mataram 130 pessoas em Paris, e a derrubada de um avião russo na península do Sinai, no Egito, que matou 224 pessoas em 31 de outubro. Ambos foram reivindicados pelo Estado Islâmico.

"Somente a misericórdia de Deus pode livrar a humanidade das muitas formas de mal, algumas vezes mal monstruoso, que o egoísmo gera em nosso seio", disse ele. "A Graça de Deus pode converter corações e oferecer à humanidade uma maneira de sair de situações humanamente insolúveis."

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